MAGNIFIC MATIFIC

Olá, todo mundo!
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Tem 700 jogos incríveis para crianças do Jardim de Infância ao 6º ano!

Pais pagam um taxa mensal de aproximadamente R$ 7,00, para seu filho aprender matemática brincando!

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Quem tiver interesse me avise que eu encaminho para pessoa responsável.
O Country Manager dá toda assistência necessária aos professores e coordenadores para introduzir o sistema na escola.

Grande beijo,

A encantadora de baleias

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O filme é de 2002, e finalmente consegui reassisitir ( Netflix)!!!

A tribo Maori, que vive no leste da Nova Zelândia, acredita ser descendente de Paikea, o domador de baleias. Segundo a lenda, há milhares de anos a canoa de Paikea virou em cima de uma baleia e ele, cavalgando-a, liderou seu povo até um local para viver. A tradição da tribo Maori diz que o primeiro filho do chefe da tribo seria considerado descendente de Paikea e líder espiritual do povo. Porém, após a morte do atual líder, quem deve assumir o posto é sua irmã, Pai (Keisha Castle-Hughes), uma garota de apenas 11 anos.

No entanto,  Pai precisa enfrentar a resistência de seu avô, Koro (Rawiri Paratene), que insiste na manutenção da antiga tradição de que o chefe da tribo deve ser um homem e portanto ignora sua neta.

Um filme sensível que mostra tanto as lindas paisagens da ilha, como a rica cultura Maori.Aborda com delicadeza  o choque entre as antigas tradições e a atualidade, mostrando com fidelidade como estas se misturam ao longo das gerações.

Fica a preciosa lição  da necessidade de transformação daquilo que não funciona mais, colocando em movimento o estagnado,  o velho e o enrijecido, como por exemplo, o poder supremo do patriarcado  que confere status  apenas ao homem. O filme trata , deste modo, da resistência  e da coragem do matriarcado para assumir um lugar de honra, como merecido.

Também ensina como devemos preservar aspectos positivos da cultura, uma vez que,  por meio de seus ritos e tradições   mantém o povo unido  e conferem identidade às pessoas, permitindo unir o terreno ao sagrado e  o concreto ao imaginário.

O Menino e o mundo

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Fiquei , literalmente, maravilhada com essa animação de Alê Abreu e trilha sonora inconfundivelmente de Naná Vasconcelos e outras tantas feras.

Um  vasto mundo de potencialidades nasce em giz de cera no branco do papel, provando o quanto a simplicidade pode ser profunda.

Numa linguagem que antecede o verbal, aqui  o simbólico é rei. Imagético como o inconsciente, conta a história de um menino em busca de seu pai nos infinitos mundos de hoje. Sim, uma pluralidade de possibilidades  que contrastam o rico e o pobre, a cidade e o campo, o adulto e a criança, a alegria e a tristeza, a espiritualidade e o materialismo…. fazendo do real e do fantástico, um só, em nossos corações.

DIA DA CRIANÇA DIKÉ…!

“A boneca para a criança é um espelho do seu ser, é uma amiga muito próxima do seu coração, pois sempre o acompanha em todos os momentos, seja nas brincadeiras, nas tristezas e alegrias, na cama ao dormir, por estes motivo a criança estabelece uma relação de imenso valor com a boneca, e isso não ocorre com outros brinquedos.

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A culpa é das estrelas: a morte ensinando a viver

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Não li o livro e não leria. Sei que incentivou a leitura entre jovens e isso é bom. Muito bom. O filme é pré-adolescente e romântico, mas também trás à tona um tema intensamente evitado pela sociedade atual em sua ânsia pela imortalidade, a finitude humana e de todos seres vivos pois a morte não escolhe idade e não tem preconceito.

Extremamente sensível, retrata uma maneira saudável de lidar com o fim da vida. Kierkegaard já disse que a angústia existencial do homem provém da incerteza da vida e da certeza da morte. Dala Laima diz sobre os homens: “…vivem como se nunca fossem morrer e morrem como se nunca tivessem vivido”.

Nunca deixará de ser triste. É muito doloroso lidarmos com a separação, com a não existência concreta do ser amado. Daquele que se foi deste mundo para sempre, que acabou para nossos sentidos. Mas como o próprio filme ( livro) destaca, a dor precisa ser sentida. Evitar em falar de morte não nos dá nenhuma garantia de que conseguiremos vencê-la, pelo contrário, apenas  estaremos paralisados pelo medo de enfrentá-la.

Ainda nos dias de hoje ouço, vejo e presencio muitas histórias de como familiares, amigos e até médicos temem serem os mensageiros da morte dando ao paciente o que lhe é de direito. A informação. Saber o que se passa com seu corpo, participar das decisões médicas e acompanhar a luta com todas suas conquistas e fracassos. Lutar pela vida, sempre com esperança, mas nunca se esconder por detrás dos véus da ilusão. Empoderar-se da própria história de passagem pelo mundo e para além deste mundo. Apropriar-se do próprio destino e tomar as decisões pertinentes ao momento, conforme clamar a alma. Ser ativo em seu processo de cura e humilde na aceitação de seus limites. Poder dizer de seus medos, fazer suas despedidas.

Lindos, os personagens riem, amam e choram em seus próprios funerais, tendo assim espaço e autorização para morrer. Escrevem suas dedicatórias funerárias, com todo o respeito e consciência num mundo onde falar de morte é pecado, pessimismo ou depressão. Ao contrário do que a maioria pensa, lidar francamente com a própria finitude é viver plenamente. Sem culpa.

A Família na Contemporâneidade oficina Nina Veiga, by Diké.

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Nossas ferramentas são objetos estruturantes.

Então que se torne bom, aquilo que pretendemos fazer, porque nada é bom “a priori”.

Fazer um brinquedo é construir um objeto que vai construir o mundo e reproduz um modo de existir. É ético, estético e político. Não há nada na estética que não produz efeito.

Como construir uma família que na contemporâneidade nos obriga a reestruturar sempre?

O intelecto domina, verticaliza, centraliza. A vida vive e não consegue ficar num lugarzinho definido, ela quer tudo junto.

O intelecto quase não sorri, fruto de uma escola que não é mediada pela vida viva. É bom começar TUDO pelo coração.

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De 4,5 à 6 anos a criança é imaginação, puro movimento. Depois , vem a imitação. Fazer cada vez mais cedo não é força, é sintoma.

Ideais produz em mim uma sensação de inadequação frente ao mundo, sempre aquém do modelo. O intelecto produz inadequações, cita regras. O arquétipo é força, não está na forma e sim na intensidade. Supera qualquer coisa.

A saúde de cada um é nele mesmo.

Celebrar a incrível singularidade do ser. Se não tem o que deveria ser ( imposto pela cultura), sobra o que podemos desenvolver de bom. O amor não divide, só sabe multiplicar. Sai o modelo e entra em cena o possível. O humano não é uma imagem morta, são forças. Talvez, possíveis de serem investigadas. O que importa são as perguntas e não as respostas.

É o potencial do ser , sem moldes pré-estabelecidos. Nunca estaremos prontos, nunca estará perfeito. É legitimado naquilo que a gente é e apoiado naquilo que não damos conta.

Sabe quando você vai estar prontinha? Quando estiver debaixo da terra. Porque a vida nunca tá pronta!

O que importa são as relações que se tecem entre sí. O que interessa da onde vem? Interessa pra onde eu vou.

Idéia morta do mundo quer dizer como o mundo tem que ser. O conhecimento de biblioteca não serve quando tem um fazer separado da vida. A vida viva integra, a mente intelectiva separa , divide e depois fica brigando. O mundo não é para se saber, o mundo é para se viver. A vida viva é puro não sei, é desafio, mistério.

O mundo para ser transformado não precisa ser destruído, pode ser inventado.

A única coisa que sabemos é que o novo sempre amanhece. Faz primeiro, lança seus fogos de artifício e depois vê onde cai e , se precisar, corre para apagar!

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O trabalho manual é feito sob a barriga. Quando calo a minha boca, outras forças falam.

Não se aprende antes para ensinar depois. O professor é aquele que de repente aprende. O próprio fazer, inventa técnicas. É a educação viva. Como confiar no processo do outro? Como confiar ao outro o poder? O que quero aprender está apoiado em quem eu sou.

A higienização da existência  é feita em nome da ordem, do intelecto, da regra. É cuidar do outro sem estrutura de poder vertical. Legitimemos o inadequado!

Um manual do que pode e do que não pode, não tem relação, pois o que media está fora. O único valor de que se pode garantir é da sua implicação no mundo. Fazer ciência que é a favor da vida e não a enquadre, vir a serviço da vida. Para que consertar a criança?

O sentido da vida está nela mesma. Nada nos acontece no passado , nem no futuro. É a presentificação. Quando você aponta, só a ponta do dedo implica. Viver é muito melhor do que dar certo!!!

 

 

 

Bonecas Waldorf, by Diké

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Um boneco Waldorf parece-se com uma criança, é normalmente simples por forma a incentivar a criactividade e imaginação das crianças. Tem diversos pormenores: pernas, braços e nariz, permitindo posturas naturais. É normalmente construída com materiais naturais.

O nome derivada da sua utilização generalizada em Pedagogia Waldorf.

Para a Pedagogia Waldorf, a boneca tem uma importância e intimidade no brincar infantil que não ocorre com os outros brinquedos. Independentemente de idade ou sexo,a boneca acompanha a criança em todos os seus caminhos, na cama, no brincar, no consolo de suas tristezas e nas suas alegrias. A criança não estabelece este relacionamento com uma bola ou um carrinho. Por isso, a boneca deve ser confeccionada com materiais naturais que ela possa pegar e abraçar.

Porque brincar com bonecas?

Brincar com bonecas ajuda a criança a conhecer o meio ambiente. Desenvolve a atividade sensorial, tato, movimento e equilíbrio. Transmite para a criança a vivência do seu próprio ser. A boneca se converte em sua companheira, transmitindo presença humana, fazendo com que a criança não se sinta só. Na vivência com sua boneca, o ser humano aprende a conviver com outras pessoas.

Contudo, deve-se analisar constantemente a reação e relacionamento da criança com a(o) boneca(o) a fim de manter o equilíbrio de modo que a criança não seja intencionada a se excluir da realidade viva e optar preferencialmente por “amigos bonecos”.

Os pais/responsáveis também devem estar atendo para que a imaginação da criança não seja levada a criar estereótipos de amigos invisíveis.

A boneca pedagógica

O brincar de bonecas possibilita que a criança se exercite na resolução de problemas, que desenvolva a linguagem e fortaleça suas relações pessoais. O boneco ou a boneca tem espaço preponderante neste brincar, principalmente no que se refere ao campo da afetividade.

É fácil observar como os bebês, com poucos meses de idade, de ambos os sexos, gostam de brincar com bonecas. Como já mencionamos, e agora vamos aprofundar, Winnicott definiu este momento como o início de um tipo afetuoso de relação com o objeto e a ele deu o nome científico de “objeto transicional”, isto é, um boneco ou um pedaço de pano, enfim um objeto sobre o qual o bebê assume direitos sobre ele, sendo sempre o mesmo não deve ser mudado a não ser por desejo da criança, deve ser resistente aos tratos de amor, ódio, ou agressividade se for o caso. Deve transmitir calor, movimento, textura mostrando vitalidade ou realidade próprias. Assim, Winnicott desenvolveu importante tese valorizando esta experiência, além das brincadeiras compartilhadas, como determinante para uma formação saudável do ser humano, “então a vida cultural e fruição de herança cultural estarão a seu alcance” (WINNICOTT,1975, p.98).

Mas qualquer boneco poderia ser este objeto transicional? Aparentemente sim, até mesmo um pedaço de pano, como afirma Winnicott. No entanto, para o trabalho psicopedagógico, onde as forças criativas da criança devem ser consideradas, seria interessante que o boneco seguisse algumas características.

Por exemplo, se no consultório, déssemos uma boneca perfeita para a criança, aquela que pisca os olhos, tem um rosto bem definido, chora, anda, faz tudo “de verdade”, é como se puséssemos então a fantasia da criança numa camisa de força, podendo atrofiar-se. Assim como o corpo da criança se atrofia quando não se movimenta o suficiente, sua imaginação também precisa de movimento.

No entanto, é certo que uma criança mais velha do que o bebê referido por Winnicott quer uma boneca um pouco mais requintada. Podemos então oferecer uma boneca de pano para ela, com braços pernas, roupas, cabelos, um rosto pintado ou bordado, talvez dois pontinhos indicando os olhos, outro a boca, de qualquer forma, sem expressão definida, para que a criança possa projetar nela todas as suas emoções com maior naturalidade.

Afinal, a boneca é a imagem do ser humano. A criança a imita e se identifica com ela. E é isso que sempre temos de ter em mente quando escolhemos o boneco terapêutico. Este boneco deverá ter a forma esférica de sua cabeça, representando o “duro”, o que protege, o osso externo determinado pela forma. Esta forma redonda, esférica e dura da cabeça deve estar colocada em repouso e absolutamente ereta sobre o corpo. No corpo do boneco, o que está dentro deve pedir para ser protegido, deverá proporcionar calor, aconchego, envolvimento. Seu rosto deverá ser neutro, para que ofereça a possibilidade, como já dissemos, de acompanhar a criança em suas emoções.

A boneca também deve ser um espelho para a criança, onde ela possa refletir sua anatomia e características étnicas. No consultório devemos ter bonecas de todas as etnias. Se a criança for negra, a boneca também o será, se loira seus cabelos devem ser loiros, assim sucessivamente. No entanto, a escolha da etnia cabe a criança. Para isso, no consultório, ela deve encontrar todos os tipos e cores de bonecos para escolheras. Sendo que esta escolha já pode começar a sinalizar para nós algo sobre a criança.

A Boneca inspirada na Pedagogia Waldorf

Para a Pedagogia Waldorf a boneca tem uma importância e intimidade no brincar infantil que não ocorre com os outros brinquedos. Independentemente da idade ou do gênero, a boneca é para a criança um companheiro, um amigo muito próximo de seu coração. Acompanha a criança em todos os seus caminhos, na cama, no brincar, no consolo de suas tristezas e nas suas alegrias. Podemos chamar de “pedagógica” a boneca construída observando alguns parâmetros: material natural, proporções e forma correspondentes às humanas saudáveis, fisionomia sem caricaturas ou expressões fixas, confecção manual. Além disso, seu manuseio deve possibilitar o livre brincar, a fantasia e a expressão da criança. Toda criança deve ter “a sua boneca” ou boneco principal. Essa boneca deve ser um espelho da criança, onde se reflete sua anatomia e suas características étnicas. Se a criança for morena ou loira, a boneca também o será, quando negra ou parda, a boneca deve ser da mesma cor. Além disso, toda criança deve brincar com “bonecas amigas” de várias etnias. É de grande importância para a criança aprender a amar e a conviver com todas as matizes da diversidade humana e, para isso, os bonecas são excelentes professores.

A boneca étnica negra e parda

O papel da boneca étnica, negra e parda, é de grande importância para a valorização da auto-estima e do reconhecimento da identidade afro-brasileira das crianças, tanto na família e na sociedade quanto na escola. A criança negra ou parda deve ter “a sua boneca” como seu espelho, onde se reflete sua anatomia e suas características étnicas. Ela também deve ter bonecas de etnias diferentes da sua para aprender a amar e a conviver com as diferenças. Através da identificação étnica com a boneca, a criança pode fortalecer sua identidade, aprender a valorizar a si e aos seus semelhantes e reconhecer, para toda a vida, suas raízes, livre de preconceitos ou estereótipos. Para os educadores, a boneca étnica também é um importante instrumento de vivência em sala de aula. As várias etnias reunidas no brincar pedagógico em sala de aula têm o poder de promover a interação social, a tolerância e o respeito pelas diferenças. Crianças que, no brincar livre, têm a oportunidade de aprender a conviver com a diversidade social tornam-se adultos mais preparados para a vida em sociedade.

Bonecos waldorf meninos

O brincar com bonecas tem uma importância especial para os meninos. Todo menino deve ter “o seu boneco” que o acompanhe em todos os seus momentos, no brincar, no consolo de suas tristezas e nas suas alegrias. O menino não estabelece esse relacionamento com uma bola ou um carrinho. Além disso, quando o pai presenteia o filho com um boneco, colabora para a quebra de estereótipos que podem atrapalhar a criança em suas relações sociais e familiares quando adulto. Ao brincar com seu de boneco, o menino amplia sua possibilidade de se tornar um ser humano mais completo e amoroso.

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

Bonecas Vietnamitas

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BONECAS VIETNAMITAS

Conta à lenda que elas têm que estar sempre em três, pois uma é Solidão, duas é Confusão e três é Solução.

Antes de dormir conte à elas suas dificuldades e preocupações que durante o seu sono elas o ajudarão a solucionar o problema! As bonecas lhe inspiram a consultar a sabedoria do inconsciente manifestada através dos sonhos.

Presente com tradição, amor, carinho e vibrações de boa sorte!

 

 

Cinco-marias by Diké

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Cinco-marias ou pipoquinha, como pode ser chamado, é um jogo também conhecido como brincadeira dos cinco saquinhos (ou cinco pedrinhas, que devem ter tamanhos aproximados). Para brincar são necessários cinco saquinhos de tecido de mais ou menos 4 cm por 3 cm, com enchimento de areiafarinha, grãos de arroz ou feijão, ou as cinco pedrinhas.

As cinco-marias têm origem em um costume da Grécia antiga. Quando queriam consultar os deuses ou tirar a sorte, os homens jogavam ossinhos da pata de carneiro (astrágalos) e observavam como caíam.

Cada lado do ossinho tinha um nome e um valor, e a resposta divina às perguntas humanas era interpretada a partir da soma desses números. O lado mais liso era chamado kyon (valia 1 ponto), o menos liso, coos (6 pontos); o côncavo, yption (3 pontos), e o convexo, pranes (4 pontos).

Essa pode ser a origem dos dados (do latim, “dadus”, que quer dizer “dado pelos deuses”), segundo Renata Meirelles, autora do livro “Giramundo e outros brinquedos e brincadeiras dos meninos do Brasil”.

Com o tempo, os ossinhos foram substituídos por pedrinhas, sementes e pedaços de telha até chegar aos saquinhos de tecido recheados com areia, grãos ou sementes, conta Meirelles.

  1. Jogar todos os saquinhos no chão (ou outra superfície) e pegar um deles sem tocar nos demais; jogar para o alto o saquinho escolhido, enquanto pega um dos outros quatro que estão no chão, e sem encostar nos restantes; segurar o saquinho na volta, com a mesma mão, antes que ele caia no chão; repetir o mesmo para cada um dos quatro saquinhos.
  2. Novamente, jogar os cinco saquinhos no chão e pegar um, sem tocar nos restantes; repetir a etapa anterior, só que agora de dois em dois saquinhos.
  3. Repetir tudo, mas desta vez pegando um saquinho e depois os três restantes ao mesmo tempo.
  4. Jogar os saquinhos, pegar um, jogá-lo para o alto, pegar os quatro saquinhos restantes de uma só vez e em seguida pegar o saquinho que estava no ar sem deixar cair nenhum.
  5. Na última etapa, jogar os cinco saquinhos no chão e pegar um sem tocar nos demais; com a outra mão, formar um túnel por onde os quatro saquinhos restantes deverão ser passados, um de cada vez, enquanto o saquinho escolhido estiver lançado ao ar.

Observação – Se o jogador tocar num dos saquinhos que estão no chão que não seja o escolhido para a execução da jogada ou deixar algum deles cair da mão, passará a vez para o próximo jogador.

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

Até o Buddha desabou de vergonha

10847948_800Finalmente assisti esse filme lançado em 2007. Lembro como meu coração se despedaçou  quando, em 2001, vi a imagem da explosão das milenares e  onipotentes estátuas de buda, destruídas pelos Talibãs na cidade de Bamian no Afeganistão, situada numa encruzilhada da antiga Rota da Seda, com um patrimônio cultural único marcado por influências da Pérsia e Grécia e do hinduísmo, budismo e islamismo.

O Afeganistão era um centro budista antes da chegada do Islã no século IX.

Tratavam-se das maiores estátuas de Buda que existiam no mundo e mediam entre 55 e 58 metros. Infelizmente, os talibãs são contra representações humanas de divindades e já destruíram inúmeras obras de arte, incluindo pinturas.

Baktay tem seis anos e vive com sua família nas cavernas cravadas nas montanhas do vilarejo,  quando é apresentada ao encanto dos livros, das letras e  de suas histórias divertidas. Determinada a estudar, sai em saga  de sí mesma. Enfrenta sua cultura com a alma livre, mas não sem dor. Sobrevive ao abandono, ao descaso, à escassez e à pobreza. Aprende e segue em frente, sabe onde quer chegar.  Sofre torturas psicológicas nas mãos dos meninos da área que, em forma de brincadeiras de guerra, reproduzem seu cotidiano validados pelo domínio sobre o feminino cujo poder a tudo e a todos  ofendem. Parece que não apenas os Talibãs são os intolerantes da região. Mas mesmo diante dos obstáculos, a menina segue leve, vivendo intensamente cada momento, ainda que estes sejam repletos de perdas de esperança traduzidas em folhas rasgadas de papéis em branco, jogadas ao vento. Atriz e personagem se misturam perfeitamente e nos conta uma história onde para libertar-se, Baktay tem que se render e morrer. De fato, até o Budhha desabaria de vergonha e agora só resta um buraco vazio.

João caçador de gigantes

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Estou realmente encantada com todos estas atualizações dos clássicos contos de fadas.

Com João Caçador de Gigantes, não foi diferente. Preservando os elementos mágicos mais importantes, inovou em tecnologia e  aventura.

João, o menino tolo, ingênuo, órfão , rude e pobre vai à feira ( a mando do tio) para trocar seu animal por dinheiro e assim consertar o telhado.

João o menino de coração , não quer vender seu animal para um açougueiro ( no conto original trata-se de uma vaca, no filme um cavalo com sua carroça) e assim o troca pela promessa de sementes mágicas, de aventura, de um mundo melhor…. afinal quem não arrisca  não petisca, não é mesmo?

No filme, João é arremessado numa aventura sem muita consciência, no conto é seu coração  que fala mais alto do que a razão e , em ambos, a jornada se inicia.

A Jornada do herói é universal, todos nós somos heróis jogados ao acaso nas estradas da vida, e todos, temos que nos superar , fortalecer, vencer nossos  inimigos internos, matar os gigantes que moram a caminho do céu. Afinal, não há como alcançar a totalidade sem antes integrar nossas sombras.

E na escada do céu, rumo ao desconhecido, devemos vencer os medos. Dando passos firmes de superação, sem perder-se no ego inflado de quem, inevitavelmente, vai cair…e quanto mais subir, mais alta é a queda daqueles que não alcançam a humildade e agem em sua arrogância e prepotência por um poder que não lhe é digno.

A origem dos gigantes foi muito bem explorada pelo filme….fabricantes de trovões, ciclopes, “brutos sem lei”, que nunca semeiam a terra nem a tratam, devoradores de humanos. Afinal o poder destrutivo acaba por devorar a sí mesmo.

“…representam a sintonia com a fértil natureza e os poderes brutos e instintivos que fundam biologicamente o ser humano e os animais. É aconselhável abordar essas energias com mais do que temeridade e desdém. Psicologicamente, elas apontam para o resíduo em nós próprios dessa inconsciente totalidade no início do desenvolvimento mental, que está cheia de vida e que tem o potencial da consciência, mas que também é cruel, incivilizada, como a natureza em si…e que tem uma tendência para devorar o seu próprio produto…”

Assim, em posse do poder correto ( coroa) podemos dominar e mandar os gigantes de volta à sua terra.

Todo o  tesouro trazido por João no conto , expressa-se no filme com a  união com a princesa, mais um potente arquétipo de integração anímica. No conto, estes elementos eram simbolizados pela harpa e pela galinha de ovos de ouro…. que de certo modo, ainda que sutilmente, foram introduzidos no filme… que também tece sua trama louvando o  poder da história. Magia absoluta. Finalizando com um sentimento de atemporalidade.

Sítio do Pica Pau Amarelo

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Sítio do Pica Pau Amarelo

Bonecos para incentivar a leitura dos pequenos!

“Emília foi feita por tia Nastácia, com olhos de retrós preto e sombrancelhas tão lá em cima que é ver uma bruxa. Apesar disso Narizinho gosta muito dela; não almoça nem janta sem a ter ao lado, nem se deita sem primeiro acomoda-la numa rendinha entre dois pés de cadeira.” Monteiro Lobato.

 

O luto lúdico

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A premiada autora e ilustradora alemã Jutta Bauer trata neste livro de um assunto delicado: a morte vista sob um olhar que nos educa para a vida. Um garoto escuta as aventuras do avô – agora numa cama de hospital -, mas o que o neto nem imagina (e que só os desenhos mostram) é que em todas as situações de perigo havia um anjo zelando por ele. A cada página, o leitor se emociona com a sutileza das ilustrações perpassadas por um humor fino, com a poesia que se infiltra nos assuntos mais espinhosos.

Release extraído da própria editora.

Educação para o luto

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Perdas também fazem parte da  vida. Não se trata só de ganhar e ser feliz, mas sim, de aceitar a vida em toda suas potencialidades e polaridades. Céu e inferno habitam a mesma alma e devem ser devidamente homenageados.

A depressão, por exemplo, é extremamente importante para a preservação mental, pois precisamos deprimir a energia em determinados momentos  para  focar naquilo que nos aflige, que atormenta nosso espírito, em busca do auto conhecimento e de uma resolução para aquilo que nos adoece, já a ansiedade nos faz levantar da cama todos os dias e “matar um leão”.

Pois bem, perdemos o útero já de cara  e depois vamos lidando com inúmeros lutos os quais vão nos mobilizando para o fortalecimento do ego e nosso desenvolvimento integral.

O que difere no entanto do que não é saudável, é o grau de intensidade pelo qual vivenciamos cada um destes demônios internos e a tempo em que permanecemos neste limbo.

Muitas vezes, quando a morte se apresenta à criança, seja através de seu adoecimento ou de alguém próximo, não sabemos como enfrentar e buscamos poupá-las daquilo que definimos como o nosso maior fracasso frente à vida.

Já notou como muitas vezes a criança lida espontaneamente com a morte? Seja porque sua compreensão pode se dar de maneira gradual, acompanhando seu fortalecimento psíquico, seja porque ainda não carrega em sí essa classificação de  valores culturalmente estipulados e desconectados da natureza mais profunda de nosso ser.

Como poderemos ajudar uma criança a compreender, vivenciar e lidar com a morte se nós mesmos a tememos?

Sem perder de vista a própria maneira como olhamos nossa morte nos olhos, algumas dicas práticas podem ser úteis:

Dos 02 aos 06 anos a criança não reconhece a morte como algo irreversível e universal e esta  informação sempre deve ser dada com  muito cuidado ( respeito e afeto) para não deixar marcas profundas. Ocultar informações  e desvalorizar seus sentimentos levam à experiências negativas que futuramente serão associadas com as novas perdas, tornando o evento traumático.

É importante dizer e demonstrar o que está acontecendo com sinceridade, na proporção de entendimento da criança, para assim ela absolver as informações necessárias para sua elaboração, deve-se acolher seus sentimentos e deixar claro que as pessoas mortas não voltarão e que vai acontecer com todos, inclusive com a própria criança, embora nunca sabemos onde, quando ou como.  Também é importante esclarecer que  embora alguém próximo e querido tenha morrido, não significa que todas pessoas próximas e  queridas vão desaparecer ao mesmo tempo. Subestimamos a capacidade de nossas crianças, mas uma conversa franca e respeitosa sempre é a melhor maneira de lidar com questões tão delicadas.

Se as informações não são claras , a criança que, nesta faixa etária, está misturada à fantasia e acredita na realização de tudo o que pensa e quer,  pode se culpar do ocorrido , uma vez que idéias de retaliação e de destruição frente  frustrações são comuns.

É um erro acreditar que as crianças vão superar o luto apenas com distrações, brincadeiras e  tempo.

Além do mais, percebendo que algo não vai bem na casa e com seus familiares, ou ainda notando o desaparecimento de um ente querido, a criança perde a confiança em sua família para o acolhimento frente os desamparos, podendo despertar sentimentos de insegurança e auto-destruição.

Falar não elimina a dor, mas permite que a criança se sinta acolhida. É preciso conversar sobre o assunto, convidá-la a participar dos rituais como velórios e enterros  e compartilhar sentimentos, favorecendo o desligamento no processo do luto.

Vale lembrar que não é adequado usar metáforas como “foi para o céu”, “sono eterno” ou “ viagem sem volta”, pois facilmente confundirão  com o concreto, podendo despertar medo e confusões com as viagens de lazer e na hora de  dormir, por exemplo.

A morte no universo infantil

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A morte é uma realidade inerente à condição da vida. Estamos vivos e por isso temos certeza de que um dia morreremos. Não sabemos quando, onde e nem como, no entanto , certamente passamos toda a vida  a ignorando na tentativa de, quem sabe assim, evitá-la.

Todavia, ignorando esta natureza tão intrínseca à condição de existir, não impedimos a morte, mas  de estarmos preparados quando ela, inevitavelmente, chegar. E muitas vezes, ela nos visita sem avisar, não elegendo idade ou qualquer outra característica que possa  confortar.

E mesmo se a morte ainda não adentrou na intimidade dos nossos lares, ela está nos jornais na soleira da porta,  nos medos debaixo da cama e nos quintais brincando com os  nossos bichos de estimação, podendo aparecer ainda no vizinho, na escola ou na família do amigo.

Pois bem, uma vez que em nossa cultura ocidental, morrer é sinônimo de fracasso ( assim como envelhecer) fazemos de tudo e mais um pouco para oculta-la debaixo do tapete existencial, deixando muitos adultos completamente desnorteados quando ela se aproxima de crianças.

Muitos a encaram como um verdadeiro trauma, não pode se falar no assunto: “tirem as crianças da sala!” Não se leva em velórios , nem enterros e ainda, dão informações fantasiosas como “foi para o céu” impedindo que estas lidem de maneira concreta com o próprio luto.

Neste sentido, livros infantis que tratam do assunto ( e são poucos), podem ser poderosos coadjuvantes para ajudar as crianças a  lidar com a morte.

Max Velthuijs (1923 – 2005) iniciou sua carreira destacando-se como grande ilustrador na Holanda. Seus livros têm sido publicados no mundo inteiro e receberam numerosos prêmios de prestígio da literatura infanto-juvenil.

Tratam de temas existenciais com simplicidade e sensibilidade. Idéias complexas como preconceito, amor, solidariedade, medo, amizade e morte são apresentadas com imagens profundamente carismáticas.

Amava os animais, sendo que rã, pato, porco são personagens de seus livros.

Em “O sapo e o canto do passarinho” Max traz o tema da morte de maneira singela e profunda. Capta com riqueza a surpresa infantil frente a morte, a curiosidade, o apoio dos amigos e a necessidade do enfrentamento e do ritual para lidar com ela e assim seguir a vida.

Vista a fantasia!

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Podemos dizer que brincar é como sonhar acordado. É   através do rebaixamento da consciência e do estímulo da fantasia que damos vazão ao imaginário lidando com sua linguagem e representações simbólicas, que abarcam  pensamentos, sentimentos, impressões e memória. Trata-se da realidade interna  e subjetiva, transcendendo o externo e concreto através de imagens do mundo subjetivo.

O material  com que se deve operar na análise do inconsciente não consta apenas de sonhos. Há também os produtos  do inconsciente denominados fantasias. Essas fantasias são como uma espécie  de sonhos ocorridos durante o estado de vigília ou como visões  e inspirações.

A fantasia permite ao ego o contato com os conteúdos internos, psíquicos e inconscientes, tornando-os conscientes e transformando-se a partir dos conteúdos que emergem. Todavia, como a criança em idade tenra  ainda está mais próxima do inconsciente do que da estruturação egóica definida, a fantasia não necessita de muita energia para emergir  sendo espontânea e sem resistências, possibilitando a manifestação não apenas de conteúdos reprimidos, mas também  dos conteúdos criativos do inconsciente.

Para Jung  a fantasia é a ponte entre as exigências inconciliáveis entre a criança e seus conteúdos internos, onde  em uma atividade criativa como o brincar  é possível a adaptação ao mundo externo.

A atividade inconsciente da fantasia segundo o Jung,  pertence a duas categorias, uma de caráter pessoal que remonta às experiências pessoais , esquecidas e reprimidas  que podem ser acessadas através de uma anamnese, denominada de inconsciente individual; e a segunda  de caráter  coletivo  que não pode ser reduzida às experiências passadas do indivíduo e portanto não foi adquirida individualmente mas sim de um substrato psíquico coletivo no qual denominou inconsciente coletivo.

A fantasia é de importância vital porque estabelece um elo natural entre os processos conscientes e inconscientes, e entre o mundo interior e exterior. É produto da atividade lúdica entre  os arquétipos do inconsciente coletivo e as circunstâncias da vida do próprio sujeito.

Artesanato, arte e criatividade!

arte_1Artesanato é o próprio trabalho manual ou a produção de um artesão (artesan + ato), é o artista que exerce uma atividade produtiva de caráter individual.

É tradicionalmente a produção de caráter familiar, na qual o produtor (artesão) possui os meios de produção (sendo o proprietário da oficina e das ferramentas) e trabalha com a família em sua própria casa, realizando todas as etapas do processo,  desde o preparo da matéria-prima até o acabamento final, não havendo divisão do trabalho ou especialização para a confecção de algum produto.

De acordo com o Cunha (2007), artesão é o indivíduo que exerce  em geral por conta própria uma arte, um ofício manual, sendo que a palavra originou-se do latim artificium, do vocábulo  artífice, que significa processo ou meio para se obter um artefato ou um objeto artístico.

O sentido de arte pode ser descrito como: “Atividade que supõe a criação de sensações ou se estados de espírito de caráter estético, carregados de vivência pessoal e profunda, podendo suscitar em outrem o desejo  de prolongamento ou renovação; A capacidade criadora do artista  de expressar  ou transmitir tais sensações  ou sentimentos.”

Desta forma, o artesanato está estritamente ligado à arte e fazer arte está ligada à criatividade.  Ser criativo  é estar conectado com seu potencial,  é escutar o coração e realizar feitos que sejam inspiradores, que fazem sentido a cada um e que proporcione uma forma diferente de olhar a vida.

As crianças  com um ego ainda estruturando-se sem padrões pré-determinados, são  mais abertas ao inconsciente, às fantasia e ao imaginário, e portanto  mais criativas. Conectadas ao novo e ao inédito, estão próximas de suas verdades interiores.

“[…] quando nascemos, temos um potencial quase ilimitado de talentos. Crianças, podemos  experimentar de tudo,  da musica à matemática, da invenção de objetos  às histórias fantásticas. Tudo parece original, novinho em folha. Até os 5 anos, a criança não foi devidamente formada pela cultura….Mas  a porca torce o rabo a partir dos  7 anos ( não por acaso a idade em que grande parte das crianças ingressa na escola). A partir desse momento os destinos dos pequenos  ficam cada vez mais ligados às realidades  e opções disponíveis  em sua sociedade.”

Ser criativo significa sentir, olhar e fazer diferente, isto é, fora dos padrões pré-estabelecidos. “Quando pinto,não sei o que estou fazendo.” Declarou Pollock, certa vez.      ( 1912-1956).

De acordo com Botton (1990), estamos o tempo todo tentando ser quem não somos, pois nascemos  espontâneos, agindo conforme nossas necessidades interiores, somos ricos de fantasias e temos muitas idéias dissociadas da realidade, porém na medida em que crescemos, vamos aprendendo sobre a realidade externa, fato extremamente importante para nossa sobrevivência e convívio social, mas  na medida em que estas realidades tomam conta de nós, passam a ser cerceadoras de nossa originalidade e criatividade, pois agimos no automático e bloqueamos a possibilidade de “deixar surgir” de dentro de nós um comportamento novo, pessoal e original. “As imposições de dentro e de fora de nós mesmos vão os impedindo de liberar espontaneamente nossas fantasias e relaciona-las favoravelmente  com a realidade.” 

A origem do brinquedo

origem brinq._1Inicialmente os brinquedos se originaram do artesanato, isto é, eram feitos  manualmente, muitas vezes pelas próprias crianças, como as pipas, bolas de crina de  cavalo, bonecas de barro ou pano, ou ainda pelos  familiares da criança, de acordo com o ofício que exercia, assim o   padeiro fazia para seu filho bonecos de pão e o marceneiro fazia carrinhos de madeira, por exemplo.

É certo  que – como toda prática artesanal – a atividade de fazer brinquedo com as próprias mãos tem raízes em sociedades agrárias. Assim, quando um artesão hoje faz um brinquedo, tanto como forma de trabalho como em regime de curtição lúdica, ele o faz não só com base na sua experiência prática  individual. Além dela, há uma sabedoria acumulada da atividade artesanal, que é fruto do trabalho e do conhecimento prático,  deixado pelas gerações que nos precederam. Há portanto,  elementos de conexão  entre a atividade artesanal e o passado.

Atualmente há desde o brinquedo feito pelo artesão profissional altamente qualificado com a marca pessoal e valor de sua arte criativa,  fazendo de seu trabalho um modo de sustento e de expressão cultural, até outros feitos em escala semi-industrial designado como industrianato, isto é, uma produção manufaturada de brinquedos dominada pela uniformidade de cores e modelos, padronização de formas e materiais e repetição para atender a demanda do mercado.

Artesanato atual

brin atuais_1 O brinquedo artesanal resistiu ao tempo,  à automação e à informática, merecendo seu valor, pois é  um modo de se expressar no mundo através  da habilidade manual. “As mãos humanas são capazes de exprimir o que  máquina  alguma poderia fazer, isto é, nossa própria identidade.”

Os brinquedos artesanais sempre terão espaço muito importante na formação social das pessoas. São insubstituíveis justamente porque são concebidos e realizados em sua totalidade por homens  e não por máquinas, no ritmo humano e  são produtos da habilidade manual, da fantasia e da capacidade criadora de cada um.

O artesanato atual também inovou-se, pois não se trata apenas de repetir brinquedos do passado mas de incorporar novidades ao seu modo de execução e em seus materiais, atualizando o artesanato com seu mais rico material,  a imaginação humana provinda de uma fonte inesgotável de energia e criatividade.

Assim o brinquedo artesanal atual  pode e deve valer-se de técnicas e de conhecimentos herdados, mas o ato criativo, produto da ação humana, não se restringe a reproduzir aquilo que já foi feito. Agrega novos conhecimentos, novas práticas, inventa novas técnicas, introduz novas formas, novos materiais e, por assim dizer, recria a própria prática artesanal, ajustando-a a outros tempos e a outras perspectivas. Serve-se da tradição manual  não para perpetuá-la ou para cristalizá-la e sim para renová-la.

Made in China

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Vida Simples, abril 2013.

“Para  uma criança brincar com um boneco do seu personagem favorito, há 75% de chance de algum trabalhador chinês ter passado  perto de 140 horas mensais em uma fábrica, ganhando cerca de 500 Reais , muitas vezes sendo punido em 10 reais por falar em serviço, manejando ferramentas  perigosas sem ter recebido qualquer tipo de treinamento para isso. A China produz atualmente três quartos de todos os brinquedos vendidos no mundo. As fábricas oferecem moradia, onde seis pessoas dividem  um quarto minúsculo e mais de 50 utilizam o mesmo banheiro.”

Crítica extraída da instalação “The Real Toy Story” do fotógrafo alemão Michael Wolf.

Trabalhadores produzem brinquedos que não podem pagar e mal têm tempo para estarem com seus próprios filhos, num ritmo de trabalho exaustivo e mal remunerado.

Criatividade e brinquedos atuais

200189736-001Embora  o brinquedo possa ser usado como um instrumento de dominação  que busca forjar pessoas em desenvolvimento  permitindo uma discussão de como a sociedade capitalista trabalha, forma e educa as crianças,  não comporta apenas uma relação unilateral, pois estas encontram nos brinquedos um meio pelo qual externam suas proposições para transformar o mundo ao seu modo, desenvolvendo novos significados, através de uma prática criativa que recusa o universo de coisas prontas, numa ação repetitiva e reprodutora  de figuras e sentidos pré estabelecidos. “ Relativiza-se , portanto, a idéia segundo a qual a criança é passiva perante o brinquedo, ficando à mercê o seus significados explícitos.”

Outra forma clara pela qual a criança se recusa a submeter a dominação é sua recusa referente a determinados brinquedos, que simplesmente são deixados de lado, ignorados ou destruídos.

Os adultos, aparentemente ausentes, deixam-lhes programadas  algumas mensagens, só que as crianças não se submetem passivamente ao adestramento. Reinterpretam sentido, atribuem outros usos, nem de longe imagináveis na representação adulta.

As crianças ao brincar usam o brinquedo conforme sua livre vontade,  são espontâneas, deixam sua imaginação fluir permitindo que um pedaço de pau vire gente ou uma folha um barco, negando  o empirismo comum do adulto, a criança vai além das aparências. Ao manipular seu brinquedo a criança projeta-se no mundo, tratando-se portanto de um movimento de dentro para fora.

“No brinquedo, o empirismo  dos significados óbvios e visíveis não é capaz de contentar as crianças. Elas querem sonhar, exercitar todos sentidos com seus brinquedos e, junto a eles, explorar, sentir, conhecer o mundo.”

Monteiro Lobato nos presenteia neste sentido: “Pedrinho armou a mesa da festa debaixo de uma laranjeira do pomar e botou em redor todos os convivas. Lá estavam Dona Benta, tia Anastácia e vários conhecidos e parentes, todos representados por pedras, tijolos e pedaços de pau. O inspetor de quarteirão, um velho amigo de dona Benta que às vezes aparecia pelo sítio, era figurado por um toco de pau com uma dentadura de casca de laranja na boca.”

A criança continua brincando, mas talvez venha  desistindo de insistir em utilizar-se dos mais variados  objetos  para representar os personagens de sua imaginação, influenciada pelas necessidades e prioridades atuais de adquirir competências e habilidades sociais.  Com seus brinquedos já prontos, muitas vezes conferindo-lhe  apenas status social, acaba abafando a expressão mais autêntica de seu ser através  das fantasias  que provém de seu inconsciente.
O desafio portanto compreende no exercício da criatividade na recriação  do significado do brinquedo, uma vez que  ao contrário  do que se dá com os adultos,  as crianças não procuram no brinquedo uma forma de evasão, mas sim de inclusão no mundo,  explorando e conhecendo melhor o real, criando-o e recriando-o à sua maneira, razão pela qual nem sempre atribuem ao brinquedo o sentido óbvio como fazem os adultos.

Ao criar o brinquedo do seu entretenimento ou ao atribuir novas significações ao brinquedo que recebe pronto, a criança nega as rédeas e as prisões adultas que lhe reservaram. E se renova, liberando  seus sentidos, em todos os sentidos.”

Para ilustrar, Monteiro Lobato: “Uma tarde Pedrinho zangou-se resolveu substituí-lo por um representante. – Rabicó não vale a pena – disse ele aborrecido. Não sabe brincar, não se comporta. O melhor é isso, querem ver? – e saiu. Foi ao quintal e trouxe um vidro vazio de óleo de rícino que andava jogado por lá. – Está aqui. De agora em diante o noivo será representado por este vidro azul.”