É tempo de fantasia!

Até aproximadamente o século XVIII as bonecas  eram utilizadas  para   magia,  fantasia,  arte e religião. Originalmente, assim como os brinquedos em geral, também não eram destinadas às crianças, mas sim aos adultos exclusivistas como sacerdotes, religiosos e curandeiros ,uma vez que se acreditava terem elas o poder da vida e da morte sobre as pessoas. Ainda hoje, sobrevivem tradições que abarcam tal crença como o Vodu, o Cadomblé e a Ubanda, uma vez que manipulam imagens humanas carregadas de misticismo e poderes sobrenaturais.

 “Criar figuras humanas dotadas de movimento (animadas)  é um costume antiqüíssimo, possivelmente relacionado em suas origens a sentimentos  e rituais religiosos; a partir dessa origem sagrada, os costume se desdobrou ao longo da história e das culturas humanas com diferentes formas e funções, de caráter lúdico, expressivo e de comunicação ou informação.”

 Aos poucos passaram também a serem destinadas à infância, embora na Grécia e Roma antigas, as crianças com elas brincavam, eram feitas de sacos cheios de grãos ou de terra cozida,  servindo simultaneamente à inúmeros rituais de casamentos e preservação dos lares, mantendo sua ambiguidade.

Segundo Friedmann (2005), na civilização grega  as bonecas de terra cozida e membros articulados, já eram encontradas nos quartos das crianças. Brincar de boneca era uma atividade relacionada com os ritos da fecundidade e tinham valor de oferenda ao sagrado.

” Durante séculos ,  os seres humanos tiveram a sensação de que das bonecas emanava algo de sagrado e de maná – um pressentimento irresistível e impressionante que influencia as pessoas, fazendo com que mudem espiritualmente. (…) Acredita-se que as bonecas sejam impregnadas de vida por quem as criou. Ela são usadas em ritos, rituais, vodus, feitiços de amor e de maldade. Elas são empregadas como símbolos de autoridade e talismãs para lembrar à pessoa da sua própria força.”

Na Idade Média, as bonecas, carregadas de simbolismo da mitologia Greco-romana, também foram condenadas à fogueira. A partir de então, apenas sobreviveram as bonecas de presépio e os teatros de marionetes que contavam histórias cristãs,  desta forma as bonecas voltaram ao universo dos adultos e de forma restrita.

“Originalmente, a animação de bonecos serviu principalmente a propósitos rituais: representar convincentemente as entidades sagradas manifestando seu poder. […] A expansão do Cristianismo na Europa bárbara assimila as antigas tradições ao mesmo tempo que, esporadicamente, procura reprimí-las como manifestações pagãs. Assim, em certas fases, a representação tridimensional da Divindade e dos santos é considerada herética e banida, mas sua utilidade didática é doutrinaria acaba prevalecendo. É por meio de imagens pintadas ou esculpidas e, em muitos casos, pelo uso de imagens animadas em representações teatrais nas festividades religiosos , que a doutrina e história religiosa são transmitidas para populações majoritariamente analfabetas.”

Cristiane Richter

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