A culpa é das estrelas: a morte ensinando a viver

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Não li o livro e não leria. Sei que incentivou a leitura entre jovens e isso é bom. Muito bom. O filme é pré-adolescente e romântico, mas também trás à tona um tema intensamente evitado pela sociedade atual em sua ânsia pela imortalidade, a finitude humana e de todos seres vivos pois a morte não escolhe idade e não tem preconceito.

Extremamente sensível, retrata uma maneira saudável de lidar com o fim da vida. Kierkegaard já disse que a angústia existencial do homem provém da incerteza da vida e da certeza da morte. Dala Laima diz sobre os homens: “…vivem como se nunca fossem morrer e morrem como se nunca tivessem vivido”.

Nunca deixará de ser triste. É muito doloroso lidarmos com a separação, com a não existência concreta do ser amado. Daquele que se foi deste mundo para sempre, que acabou para nossos sentidos. Mas como o próprio filme ( livro) destaca, a dor precisa ser sentida. Evitar em falar de morte não nos dá nenhuma garantia de que conseguiremos vencê-la, pelo contrário, apenas  estaremos paralisados pelo medo de enfrentá-la.

Ainda nos dias de hoje ouço, vejo e presencio muitas histórias de como familiares, amigos e até médicos temem serem os mensageiros da morte dando ao paciente o que lhe é de direito. A informação. Saber o que se passa com seu corpo, participar das decisões médicas e acompanhar a luta com todas suas conquistas e fracassos. Lutar pela vida, sempre com esperança, mas nunca se esconder por detrás dos véus da ilusão. Empoderar-se da própria história de passagem pelo mundo e para além deste mundo. Apropriar-se do próprio destino e tomar as decisões pertinentes ao momento, conforme clamar a alma. Ser ativo em seu processo de cura e humilde na aceitação de seus limites. Poder dizer de seus medos, fazer suas despedidas.

Lindos, os personagens riem, amam e choram em seus próprios funerais, tendo assim espaço e autorização para morrer. Escrevem suas dedicatórias funerárias, com todo o respeito e consciência num mundo onde falar de morte é pecado, pessimismo ou depressão. Ao contrário do que a maioria pensa, lidar francamente com a própria finitude é viver plenamente. Sem culpa.

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