O luto lúdico

O anjo da guarda do vovo-1

A premiada autora e ilustradora alemã Jutta Bauer trata neste livro de um assunto delicado: a morte vista sob um olhar que nos educa para a vida. Um garoto escuta as aventuras do avô – agora numa cama de hospital -, mas o que o neto nem imagina (e que só os desenhos mostram) é que em todas as situações de perigo havia um anjo zelando por ele. A cada página, o leitor se emociona com a sutileza das ilustrações perpassadas por um humor fino, com a poesia que se infiltra nos assuntos mais espinhosos.

Release extraído da própria editora.

Educação para o luto

luto

Perdas também fazem parte da  vida. Não se trata só de ganhar e ser feliz, mas sim, de aceitar a vida em toda suas potencialidades e polaridades. Céu e inferno habitam a mesma alma e devem ser devidamente homenageados.

A depressão, por exemplo, é extremamente importante para a preservação mental, pois precisamos deprimir a energia em determinados momentos  para  focar naquilo que nos aflige, que atormenta nosso espírito, em busca do auto conhecimento e de uma resolução para aquilo que nos adoece, já a ansiedade nos faz levantar da cama todos os dias e “matar um leão”.

Pois bem, perdemos o útero já de cara  e depois vamos lidando com inúmeros lutos os quais vão nos mobilizando para o fortalecimento do ego e nosso desenvolvimento integral.

O que difere no entanto do que não é saudável, é o grau de intensidade pelo qual vivenciamos cada um destes demônios internos e a tempo em que permanecemos neste limbo.

Muitas vezes, quando a morte se apresenta à criança, seja através de seu adoecimento ou de alguém próximo, não sabemos como enfrentar e buscamos poupá-las daquilo que definimos como o nosso maior fracasso frente à vida.

Já notou como muitas vezes a criança lida espontaneamente com a morte? Seja porque sua compreensão pode se dar de maneira gradual, acompanhando seu fortalecimento psíquico, seja porque ainda não carrega em sí essa classificação de  valores culturalmente estipulados e desconectados da natureza mais profunda de nosso ser.

Como poderemos ajudar uma criança a compreender, vivenciar e lidar com a morte se nós mesmos a tememos?

Sem perder de vista a própria maneira como olhamos nossa morte nos olhos, algumas dicas práticas podem ser úteis:

Dos 02 aos 06 anos a criança não reconhece a morte como algo irreversível e universal e esta  informação sempre deve ser dada com  muito cuidado ( respeito e afeto) para não deixar marcas profundas. Ocultar informações  e desvalorizar seus sentimentos levam à experiências negativas que futuramente serão associadas com as novas perdas, tornando o evento traumático.

É importante dizer e demonstrar o que está acontecendo com sinceridade, na proporção de entendimento da criança, para assim ela absolver as informações necessárias para sua elaboração, deve-se acolher seus sentimentos e deixar claro que as pessoas mortas não voltarão e que vai acontecer com todos, inclusive com a própria criança, embora nunca sabemos onde, quando ou como.  Também é importante esclarecer que  embora alguém próximo e querido tenha morrido, não significa que todas pessoas próximas e  queridas vão desaparecer ao mesmo tempo. Subestimamos a capacidade de nossas crianças, mas uma conversa franca e respeitosa sempre é a melhor maneira de lidar com questões tão delicadas.

Se as informações não são claras , a criança que, nesta faixa etária, está misturada à fantasia e acredita na realização de tudo o que pensa e quer,  pode se culpar do ocorrido , uma vez que idéias de retaliação e de destruição frente  frustrações são comuns.

É um erro acreditar que as crianças vão superar o luto apenas com distrações, brincadeiras e  tempo.

Além do mais, percebendo que algo não vai bem na casa e com seus familiares, ou ainda notando o desaparecimento de um ente querido, a criança perde a confiança em sua família para o acolhimento frente os desamparos, podendo despertar sentimentos de insegurança e auto-destruição.

Falar não elimina a dor, mas permite que a criança se sinta acolhida. É preciso conversar sobre o assunto, convidá-la a participar dos rituais como velórios e enterros  e compartilhar sentimentos, favorecendo o desligamento no processo do luto.

Vale lembrar que não é adequado usar metáforas como “foi para o céu”, “sono eterno” ou “ viagem sem volta”, pois facilmente confundirão  com o concreto, podendo despertar medo e confusões com as viagens de lazer e na hora de  dormir, por exemplo.